domingo, 14 de setembro de 2014

CÉU E INFERNO SEGUNDO O CALVINISMO

Para o homem que, em suas próprias palavras, desenvolveu em livro conhecido como 'Institutas' tudo o que na Enfadonha Bíblia (palavras dele) se encontra, servindo-se dos apontamentos de um padre de nome Agostinho e dividindo com Deus os lauréis (prefácio à edição francesa), ninguém há no mundo passado, presente e futuro que possa se converter para herdar a vida eterna, apregoando abertamente que pessoas absolutamente nada fazem ou nenhuma participação têm nesse processo, porquanto seus nomes ou estão ou não estão, antes da fundação do mundo, inscritos no Livro da Vida por força do decreto predestinatório-eletivo eterno de Deus.

Por conseguinte, na estranha linguagem calvinista, a Bíblia contém redação imprecisa ou inadequada, eis que não se pode nem mesmo cogitar, por exemplo, de "QUEM CRER, SERÁ SALVO" (Mc 16:16), considerando que, ao ritmo da tese do cidadão João Calvino (a qual ele mesmo, sem o menor aceno de humildade, denomina de "pura e sã doutrina"),

para o Criador, "QUEM HOUVER SIDO ELEITO INEVITAVELMENTE SE CONVERTERÁ", nem que seja de maneira implícita, ou misteriosa, ou invisível, ainda dentro do útero da mãe...

Daí, observa-se que a própria palavra "SALVAÇÃO" fora equivocadamente inserida na Tediosa Bíblia (di-lo esse escritor francês), de vez que ELEITOS POR DECRETO PREDESTINATÓRIO ou PREDESTINADOS POR DECRETO ELETIVO não estão sujeitos ou susceptíveis a qualquer tipo de percalço existencial que pudesse colocar em risco seu perene, cronometrado e venturoso encontro com Deus.

Tais privilegiados, pois, não necessitam nem de SALVAÇÃO propriamente dita, muito menos de SALVAÇÃO que derive do ato, da iniciativa ou da vontade de CRER, porquanto, obviamente, "QUEM HOUVER SIDO ELEITO, CRERÁ" (quer nasça vivo, quer se transforme num feto abortado),   dando então lugar à seguinte conclusão: para a Bíblia, ao homem é necessário CRER E CONVERTER PARA SER SALVO, enquanto que, para Calvino – que a si mesmo se apregoa como o sumo e inerrante doutrinador e exegeta, uma espécie peculiarizada de Papa do século XVI - e para todos os assim chamados calvinistas, ninguém crerá se eleito não houver sido e, portanto, tudo jaz na secreta e unilateral dependência de ELEIÇÃO PRÉVIA PARA CONVERSÃO SEM MÉRITO, lado a lado, em sentido contrário, com REJEIÇÃO PRÉVIA PARA CONDENAÇÃO COM CULPA PLENA ou CABAL DEMÉRITO derivado de malignidade autônoma.

Nenhum de nós SERÁ salvo, nenhum de nós SERÁ condenado, de vez que, ao sentir do francês Calvino, alguns de nós, SEM QUE O SAIBAMOS, SEM QUALQUER MANIFESTAÇÃO DE VONTADE, SEM NADA FAZERMOS, SEM NEM MESMO OLHARMOS PARA DEUS, AINDA QUE TÃO PECADORES COMO QUALQUER SER HUMANO, PECANDO "POR ORDEM DE DEUS" desde Adão (conforme Confissão Calvinista de Fé de Westminster – Capítulo III, item VII, e Capítulo VI, item I),  já somos, já fomos eleitos para a vida eterna e nela seremos introduzidos como montarias ou equinos sendo cavalgados por Deus, a quem Calvino chama de Destro Ginete; ao passo que todos os viventes que integram o restante da humanidade, incluindo crianças ainda informes, ou embriões uterinos, ou nascidas com graves anomalias, ou gêmeos xifópagos, ou bebês portadores de anencefalia, ou aqueles que ainda aos seios da mãe, ou com tenra idade, POR SUA PECULIAR E EXCLUSIVA CULPA, PELOS IMPERDOÁVEIS PECADOS COMETIDOS "PARA GLÓRIA DE DEUS" (Confissão Calvinista de Fé de Westminster), POR HAVEREM "REJEITADO" A DEUS, carregam em si antes que o mundo viesse a ser mundo o estigma do anátema por efeito do qual, num aparente e ilusório futuro, serão perpétuos habitantes do inferno, nele lançados como quadrúpedes sendo montados pelo Diabo, a quem Calvino chama de Estouvado Cavaleiro, cerrando fileiras ao lado de incontáveis outros rebentos do demônio.

"Simples" assim!!!

Duas classes de pessoas calvinisticamente existem:

Os nativos do céu, por IMERECIDA  e ALEATÓRIA eleição, e os nativos do inferno, por CAPRICHOSAMENTE SELETIVA condenação, decorrentes tanto essa quanto aquela de um projeto eterno que, segundo o citado escritor João Calvino, é resultante do que ele chama de soberania inquestionável de um Deus que simplesmente DELIBEROU SALVAR (salvar de quê?) e simplesmente DELIBEROU CONDENAR (condenar por quê?), ao qual NÃO APETECEU CRIAR A TODOS EM IGUAL CONDIÇÃO, que a uns PROJETOU PARA A VIDA e a outros ASSINALOU PARA A MORTE, conforme assim se lê em seus apontamentos:

"...Pois ele não quis criar a todos em igual condição; ao contrário, preordenou a uns a vida eterna; a outros, a condenação eterna."

(Institutas, vol. III)


Fica óbvio, portanto, que João Calvino (calvinismo) protagoniza, também, a mutilação até mesmo de sua passagem Bíblica favorita (Rm 9:13), ou seja, aquela que diz respeito à trajetória existencial envolvendo Jacó, o PRÉ-AMADO, e Esaú, o PRÉ-CONDENADO.

Ora, de que vulcanicamente absurda e disparatada maneira um Deus Todo-Predestinacionista poderia AMAR PRIMEIRO para, só então, eleger predestinatoriamente, e, em sentido contrário, ODIAR PRIMEIRO para, em seguida, condenar predestinatoriamente? Elegeria Ele porque AMOU, e condenaria porque ODIOU?

E, nesse cenário calvinístico, por que Deus AMARIA alguém?
D'onde proviria o AMOR de Deus por determinadas poucas pessoas?
E por que Deus ODIARIA alguém?
Qual a razão de ser do ÓDIO de Deus por certas e inumeráveis pessoas, já a partir do próprio Adão, cujo pecado fora ORDENADO por Deus "para sua própria glória"?


Fica irrefragavelmente claro, então, que, ao revés do que a Bíblia apregoa; longe, muito longe, do que a Bíblia insistentemente preconiza, para esse movimento religioso, Deus não se guia nem pelo amor, nem pelo ódio. Deus é somente soberano, insere-se em sua soberania,  vincula-se à sua soberania, maneja como lhe aprouver a sua soberania, sempre e unicamente em prol de si mesmo.

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