quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

COLÓQUIO DE UM CASAL CALVINISTA

DIZ A ESPOSA RECÉM-CASADA:

"Amor, estou grávida de gêmeos."


REPLICA O MARIDO:

"Estou feliz por ser pai, amor, mas confesso que fico preocupado se o seu útero está abrigando DOIS ANJINHOS ou DOIS FILHOS DA PERDIÇÃO, conforme nossa convicção religiosa reformada a partir dos ensinamentos do João Calvino."


VOLTA A ESPOSA:

"Sim, amor, o teólogo João Calvino ensinou em seu tratado religioso que Deus 'NÃO QUIS CRIAR A TODOS EM IGUAL CONDIÇÃO', mas vamos torcer e cruzar os dedos para que pelo menos um deles seja um ANJINHO.
De qualquer forma, prometo que vou amamentar e cuidar dos dois igualmente, porque NÃO SEI QUEM É QUEM."


Esse diálogo aparentemente jocoso, na verdade jocoso não é porque representação EXATA da teoria doutrinária proposta pelo segmento religioso adepto do fatalismo absoluto de mão dupla, imutável e cronometrado.
Ou seja, não se trata de sátira ou de motejo em relação aos adeptos, os quais obviamente são plenamente merecedores de respeito como quaisquer outras ramificações religiosas, mas a intenção é tão-somente ilustrativa.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Os cães se atiçam pelo olfato, enquanto que os seres humanos se conduzem pela aparência. Ambos não podem, pois, ser levados muito a sério.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

NECESSITAMOS IR ALÉM DOS DELÍRIOS

Independentemente da peculiaridade de visão religiosa ou percepção de vida por qualquer pessoa, certo é que a humanidade em seu todo se insere num contexto em que inegavelmente a vida como ela é, como se apresenta, como se desdobra, desde séculos e séculos, não evidencia sentido nenhum, exceto se o sobrenatural da sobrenatural criação imprescindivelmente existir: Deus.

Penso que não há realização possível no que se refere a tornar os racionais "encaixadamente" felizes, a menos que para alguns felicidade signifique ser abastado, se empanturrar, se embebedar, se drogar, se desligar continuadamente da realidade pouco suportável, como rotineiramente se vê.

Não se pode crer que a realização do ser humano, o sonho de pais acalentado para filhos se limite a que eles estudem na melhor escola, galguem o melhor emprego, casem-se com alguém de semelhante perfil, venham a engravidar e parir filhos que sejam fisicamente perfeitos e tenham olhos coloridos, viajem para a Europa, estejam em constante evidência, recebam convites para entrevistas nos meios de comunicação, busquem avidamente cirurgias plásticas para disfarce do apavorante envelhecimento, ingressem nos melhores hospitais do Brasil e do mundo quando acometidos por uma dessas enfermidades corrosivamente graves etc. etc.

E, ao cabo de tudo, ao desfecho de todos esses, digamos, delírios existenciais, apenas morrer na individualidade do ego desfeito, e, após um funeral com choros meramente protocolares de parentes e de supostos e efêmeros amigos, imergir em rápida putrefação para, finalmente, ser consumido por micro-organismos...

domingo, 17 de novembro de 2019

JUÍZES SÃO APENAS JUÍZES, NADA MAIS QUE JUÍZES, SIMPLORIAMENTE JUÍZES, MEROS APLICADORES DA LEI

O constitucionalmente assim chamado Supremo Tribunal Federal vem desde largo tempo se mostrando obviamente prejudicial ao Brasil, nocivo às instituições, avesso à sociedade nacional.

Os juízes (a expressão "ministro" é apenas um epíteto protocolar) que o integram deveriam obrigatoriamente e eticamente se limitar a julgar os processos que por lá DORMITAM a sono solto, e, claro, fazê-lo sem todo esse alarde que a todos nos enfada, sem aquelas sessões teatrais, sem aquela incontrolável ânsia de estar em evidência, de se saberem e se desejarem filmados.

O papel do juiz é apenas (APENAS) julgar processos, aplicar a lei, distribuir justiça, com total discrição, cumprindo o seu dever e mantendo elegante silêncio.

Esses juízes da última instância nem entrevistas deveriam conceder. Estão evidentemente, há elástico tempo, extrapolando claramente seu restrito papel de simples juízes.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Por que, no contexto humano da racionalidade, tão rara se tem tornado a virtude ao extremo de dela quase nunca se ouvir desde todos os recantos?

Que foi feito com a essência do racional e do virtuoso?

Para onde migraram ambos?

Digam-no os que se importam...

sábado, 9 de novembro de 2019

A TAL PRISÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA


Diferentemente do que vozes sem conta no Brasil alardeiam, quem está LIBERTANDO criminosos em todo o país não é o STF após aquele julgamento espetaculoso envolvendo a assim rotulada prisão em segunda instância, mas, sem dúvida, a própria Constituição Brasileira, enquanto vigente por força e efeito de ato solene dos Representantes eleitos pelo povo, quando reunidos em Assembleia Constituinte.

Nossas leis, em seu todo, mostram-se flagrantemente caricaturescas, parecendo propositadamente malfeitas, despidas de desígnio aceitável, abadernadamente descumpridas e, de modo incessante, desvirtuadamente aplicadas pelo Poder Público.

Todavia, deprimentemente quem MANTÉM esses mesmos criminosos SOLTOS e IMPUNES, aí, sim, é o Superior Tribunal de Justiça, é o Supremo Tribunal Federal e todo o sistema estagnado e inoperante chamado Poder Judiciário porque os Togados simplesmente NÃO JULGAM, não exaurem o processo em todas as suas fases.

Eles não se têm como em tudo semelhantes a meros e importantes Servidores Públicos em absoluto comprometimento com a sociedade.

Regiamente remunerados com pouquíssima similaridade em países desenvolvidos, agem como intocáveis ou uma espécie esdrúxula de "poder inatingível".

Decidem mal e tardiamente num ambiente via de regra teatral e impregnado de repugnante pompa pelo derramamento sem conta do dinheiro público, onde o ego é a principal expressão jurídica.

Esse aparente zelo com a Constituição, que o STF diz ter adotado nesse julgamento que redundou na soltura de condenados em dupla instância, deveria igualmente se tornar realidade no sentido de essa Corte se curvar à própria Constituição a fim de JULGAR os recursos faltantes de modo que a decisão condenatória que neles já existe se torne definitiva, transitando em julgado.


Acaso teriam os Ministros do STF esquecido que a Constituição a qual dizem reverenciar determina no art. 5º, inciso LXXVIII, que haja celeridade na tramitação de processos quaisquer e que, portanto, não podem eles ser abandonados em prateleiras empoeiradas ou sepultados em computadores até que se configure a prescrição do crime?

Deu-se pressa o STF no julgamento pela soltura e não faria o mesmo, nem ele nem os demais Tribunais, quanto ao julgamento derradeiro que porá fim ao processo?

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Diferentemente do que possa parecer, Deus é a latente, inadmitida e silenciosa expectativa...do ateu.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

A IMPOSSIBILIDADE DO CALVINISMO REAL

Existe uma frase cunhada pelo próprio João Calvino que faz referência ao que ele chama de "IMPOSSIBILIDADE DO ATEÍSMO REAL", mas essa frase poderia ser modificada para ficar tal como o título deste texto, ou seja: "A Impossibilidade do Calvinismo Real".

Na verdade, NINGUÉM é calvinista, ainda que PENSE SÊ-LO, ainda que orgulhosamente assim o diga, como se havendo obtido uma espécie de status social.

É impossível que pessoas quaisquer sejam DE VERDADE e NA PRÁTICA adeptas desse pensamento religioso. E por quê?

Primeiro, porque A MAIORIA não faz a menor ideia do que REALMENTE seja ou signifique calvinismo, e isso, obviamente, inclui aqueles próprios que a si se rotulam como calvinistas.

Segundo, porque nem mesmo aqueles que ocupam posição chamada de liderança num desses vários segmentos religiosos denominacionais e que hajam obtido títulos curriculares de entendedores doutrinários, detêm plena consciência ou ciência a respeito do tal calvinismo.

Terceiro, porque também esses ocupantes de posições chamadas de liderança via de regra TROPEÇAM flagrantemente quando tentam embaraçadamente e de modo embaraçoso para outrem explicar os meandros da tese religiosa calvinista, como se fazendo uma explanação sobre o panorama celestial.

Quarto, porque TODAS AS PESSOAS, quaisquer que sejam elas, JAMAIS poderiam ser calvinistas, em razão da absoluta ignorância do ser humano relativamente aos mistérios da criação, além da GIGANTESCA carência de todas elas de natureza física, psicológica e espiritual.

Quinto, porque NADA, absolutamente NADA, sabemos no que diz respeito à inenarrável imensidão do Criador.

Sexto, porque TODOS e TODAS, sem exceção, que se dizem calvinistas, NEGAM o tal calvinismo minuto a minuto, com palavras, com atos, com ações, com omissões, com prédicas, com exposições, com óbvias contradições, com orações, com visível e intransponível dificuldade etc. etc.

Vejamos alguns exemplos:

Todo autodenominado CALVINISTA, incluindo os que ocupam posição de liderança ou de ensinadores, faz uso a todo instante das seguintes expressões:

"Se Deus quiser"
(Como se Deus FOSSE QUERER através de ato futurístico)

"Ai, Meu Deus!"
(Como se Deus ouvisse seu grito e, por causa dele, se dispusesse a atendê-lo)

"Deus, abençoe meu filho para que ele se converta"
(Como se fosse calvinisticamente possível alguém se converter, ou como se o Livro da Vida estivesse à disposição para ser preenchido ou corrigido)

"Devemos perseverar em oração"
(Como se oração tivesse alguma eficácia no contexto existencial calvinístico e através dela a história pudesse vir a ser escrita pela boca do ser humano)

"Jesus Salva"
(Como se alguém pudesse de fato ser salvo ou vir a ser salvo em vez de ser PREDESTINADO antes de nascer, antes de pecar, antes de Adão, antes do mundo)

"Deus ouve nossas orações"
(Como se Deus estivesse com ouvidos atentos e pronto a SER ACIONADO ou SENSIBILIZADO ou INCLINADO ou MOTIVADO pelas orações calvinísticas)

Num domingo de reunião denominacional, o dirigente calvinista rotineiramente diz ou apregoa solenemente:

"Se vocês pagarem o dízimo, serão abençoados por Deus. Quem se omitir quanto ao dízimo, cai no desagrado de Deus e sofrerá consequências".

E esses dirigentes dizem essas coisas como se vivessem ao abrigo do Antigo Testamento, como se a bênção e a maldição estivessem a depender de atitudes humanas e como se estivessem no lugar de Sacerdotes Levitas.

Quando morre alguém de sua família, o calvinista nunca diz: "Graças a Deus".

Quando fica doente, o calvinista nunca diz: "Obrigado, meu Deus por esta doença predestinada".

Semelhantemente, quando alguém de sua família é atingido por enfermidade, o calvinista nunca diz: "É inútil orar para a cura, porque o João Calvino ensinou inerrantemente que os dons espirituais não se aplicam ao nosso tempo, já que o Livro de Tiago, capítulo 5, foi revogado".

Quando pratica alguma ilicitude ou se entrega a algum pecado, o calvinista nunca diz: "Faço trapaças porque estou predestinado a fazê-lo"; ou, quiçá, "Faço trapaças porque estou exercitando meus atributos de livre-agente, e Deus, portanto, não tem nada com isso".

De modo semelhante, quando espanca sua esposa, o calvinista nunca diz: "Sou espancador de mulheres porque estou agindo na condição de livre-agente, e esse meu ato não pode ser imputado a Deus".

Quando ouve notícia de algum crime, por exemplo, de latrocínio, roubo ou estupro, o calvinista nunca diz: "Esse homicida e esse estuprador agiram com a credencial de instrumentos da divina providência e executaram os juízos de Deus. Portanto, a vítima teve o que inevitavelmente merecia".

Se algum ladrão invade sua casa, o calvinista nunca diz: "Bem-vindo, instrumento da divina providência. Fique à vontade para executar os decretados e cronometrados juízos de Deus, dos quais eu sou pleno merecedor".

Portanto, NENHUMA PESSOA no mundo é, de fato, isso ou aquilo; muito menos, calvinista.

domingo, 29 de setembro de 2019

A MIRAGEM DO SER

Ninguém (NINGUÉM) neste mundo detém a possibilidade de SER na acepção ampla da palavra, mas meramente de ESTAR, pois que encontramo-nos imersos num processo ou num sequencial de GIGANTESCO DESCONHECIMENTO de tudo e de todos, simplesmente porque, perceptivelmente, nada sabemos nem sobre nós, muito menos sobre os demais viventes, exceto voláteis e inconsistentes suposições.

Nesse terreno, o máximo que se consegue, tateando na opacidade da existência física fugaz, poderia, quiçá, ser ilustrado pela conhecida frase de J. Guimarães Rosa, tida erroneamente apenas como jocosa: "Eu quase que nada sei. Mas desconfio de muita coisa."

E assim limitadamente supondo, claudicamos na vida e inquietamo-nos diante da iminência da morte.

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

O INTERRUPTOR DE TODOS NÓS

O curso e contexto da existência de todos os seres humanos consiste em uma série ininterrupta de repetições de pensamentos, de palavras, de hesitações, de atos, de gestos, de alegrias, de tristezas, de desatinos, de enfermidades, de frustrações, de realizações grandes e pequenas, de nobreza, de vileza, de idas e vindas. Regressamos incessantemente às mesmas vaidades, tropeçamos nas mesmas contradições e cultivamos o antigo egoísmo

Tudo isso ao som das mesmas músicas disfarçadas por diferentes letras, demonstrando, quiçá, alguma empatia pela agonia óbvia da humanidade, ouvindo os mesmos e embotados discursos, assistindo às tragédias nossas de cada dia.

Geramos filhos e a eles nos dedicamos com esmero. Envelhecemos rapidamente, abstraídos das marcas de nossos rostos e ainda ávidos por novas repetições que nos tragam alento na já claudicante fase de vida.

Em meio a todas essas variantes que nos conduzem por largos dias e elásticas décadas, surge ao longo do caminho, sem que queiramos ou desejemos, uma espécie de interruptor ao qual se dá o nome de morte e que nos arrebata essa tão fortemente acalentada necessidade de permanecermos absorvidos em nosso cortejo de repetições cotidianas.

E, então, apenas morremos, somos transformados em cadáveres inertes, sem que o façamos, sem que o busquemos, sem que o planejemos, impedidos em definitivo de, nesta órbita existencial, repetir a vida e reprisar a morte.
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