Na
construção e na ferrenha defesa da tese doutrinária do escritor João Calvino,
os adeptos se esquecem da Bíblia, embora a ela paradoxalmente declarando-se
apegados.
O
Livro de Romanos, capítulo 9:11-13, como se sabe, representa a Passagem
Favorita desse segmento religioso no que se refere à bandeira do
Predestinacionismo Eletivo e Condenatório, alardeando que Jacó e Esaú seriam o
exemplo perfeito e irrefutável da Bifurcada Preordenação Eterna do Criador.
Se
assim é, ou se assim fosse, ter-se-ia compulsoriamente de conviver com as
antibíblicas ideias de que uma
árvore boa pode produzir maus frutos e uma árvore má pode produzir frutos bons.
E
a isso se acrescente a agravante de que, ao contrário do que preconizado na
Palavra de Deus, os filhos não seriam HERANÇA DO SENHOR, tampouco, por
consequência, o fruto do ventre O SEU GALARDÃO, na medida em que, se Jacó
representou bênção do Criador na vida de Rebeca, Esaú, por sua vez, seria um
tropeço tipicamente maligno.
Esaú,
mesmo em sua calvinisticamente inconfundível figura satânica, deve ser
considerado como "HERANÇA" e "GALARDÃO"? Ou Deus teria, através
de Esaú, amaldiçoado ou punido Rebeca?
Se
Rebeca, nas palavras do movimento religioso calvinista, teve em seu ventre um
Eleito e um Condenado, significa que a árvore BOA produziu fruto sadio e fruto
maligno, sem que tal malignidade proviesse de Deus?
Estariam
os calvinistas querendo dizer que Rebeca teria sido ESTUPRADA PELO DIABO, e,
portanto, que Esaú não proviria exatamente daquela mulher, mas seria fruto do
espermatozoide demoníaco?
Ou
tanto Jacó quanto Esaú seriam Filhos de Deus e, nesse caso, Deus seria o autor
do mal, gerando o diabo Esaú?