segunda-feira, 24 de outubro de 2016

O CUSPE DO CHARRUA E O SABONETE DERSO

A humanidade, por maiores que sejam ou que têm sido os avanços tecnológicos da modernidade, não possui conhecimento e nem mesmo diminuto registro acerca dessa dualidade de fenômenos.

Nenhum dos cientistas, tampouco historiadores, quer de tempos remotos, quer contemporâneos, tiveram a ímpar oportunidade de ouvir e inteirar-se a respeito desse duplo prodígio que permanece cercado, envolto ou submerso num imenso mistério.

Pouquíssimas pessoas foram privilegiadas ao ouvir narrativas feitas por ainda mais privilegiadas outras pessoas que não apenas sentiram o retinir dos ouvidos, mas que também viram, que presenciaram ainda que de modo fugaz os breves momentos a partir dos quais o mundo jazeu atônito e deslumbrado.

Tristemente, restou apenas o mito, ou tão-somente a ideia de mito, não obstante a indescritibilidade de fatos históricos indeléveis.

Os seres humanos do presente e do futuro provavelmente jamais se darão conta de que houve entre nós a bombástica, inexplicável e não percebida presença dos, embora absolutamente autênticos, agora reputados no máximo como utópicos e fantasiosos CUSPE DO CHARRUA e SABONETE DERSO.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

A RELIGIOSIDADE ESTÉRIL DO CALVINISMO

Apegando-se unicamente naquilo que repetidamente e incansavelmente chama de Soberania de Deus, a partir da qual constrói raciocínio e conclusão plenissuficiente e de tudo excludente, o francês João Calvino, com os aplausos dos adeptos de suas teses, defende o Livre-Arbítrio como algo absolutamente inexistente, absorvido ou socorrido pela Graça Irresistível que alcança e atrai os Eleitos.

Entretanto, no que concerne aos Réprobos, de maneira reprimida ou propositadamente sem detença, isto é, sem se alongar no assunto, evitando abordar o tema, declaram os calvinianos que esses Réprobos por si mesmos se fizeram abomináveis, sob a ponderação de que o mal não poderia provir de Deus, muito menos o mal sem causa.


E, pergunta-se, qual seria a diferença marcante, perceptivelmente marcante, infalivelmente marcante, entre os eleitos pela predestinatória graça irresistível e os condenados pela predestinatória desgraça irresistível?

O que os distingue na prática, na aparência, nas atitudes, no falar, no calar-se, no agir individualmente, no agir em sociedade, no agir em família, no agir como autoridade, no agir como legislador, no agir como criatura imagem e semelhança de Deus?

Na verdade, coerentemente com os próprios pontos de vista advogados pelos calvinistas, tomando-se como parâmetro de raciocínio o predestinacionismo ao mesmo tempo eletivo e condenatório, e ao contrário do que eles apregoam, Deus não está soberanamente no controle de tudo. 

O francês João Calvino quer passar enfaticamente, não obstante contraditória e confusamente, a idéia de que a salvação é ato unilateral, irresistível e soberano de Deus, barulhando relativamente ao estado de miserabilidade espiritual do ser humano, acenando com a completa ausência de atitude, ou de iniciativa, ou de Livre-Arbítrio que possibilitasse a qualquer vivente voltar-se para Deus.

Todavia, de modo silencioso mas ensurdecedoramente contundente, os calvinianos incorrem numa brutal contradição, quando, relativamente aos não-eleitos ou predestinados para a perdição, afirmam, declaram e apregoam que tais pessoas, as quais, em conformidade com a Bíblia, são em número muito maior do que os Eleitos, foram por Deus condenadas ao Inferno em decorrência de sua exclusiva malignidade, isto é, por algo como criatividade humanamente unilateral, por voluntariedade particular ou privada, deixando patente que, ao entendimento desse movimento religioso, Livre-Arbítrio existe, sim, mas apenas para quem opta por se tornar ou escolhe ser iníquo.

Exposto de outro modo, no dizer dos calvinianos, jamais admitindo o Livre-Arbítrio dos malditos, limitando-se a vagamente declarar que eles autonomamente(?!) se fizeram culpados ou insusceptíveis de absolvição pela Graça, não obstante escudando-se generalizadamente e unicamente no que entendem ser resultado da Soberania Divina; sim, no entender desse segmento religioso, por um lado Deus predestina irresistivelmente os Escolhidos, sem que mereçam, sem que detenham autonomia de vontade; enquanto que, d’outro lado, igualmente predestinando os Réprobos, atribui a estes total liberdade de escolha, capacidade de se oporem a Deus, de resistir a Deus, de desafiar a Deus, de rejeitar a Deus, de espernear, de fazer pirraça contra Deus.

Por que, então, cargas-d’água os calvinianos insistem em dizer que Livre-Arbítrio não existe?

Em realidade, ou na prática cotidiana, os calvinianistas, diferentemente do que repetidamente discursam, aceitam, sim, a realidade do Livre-Arbítrio, ainda que sistematicamente o omitam e o encubram com artifícios retóricos.

Com outras palavras, o Eleito, de acordo com a prédica de Calvino, volta-se a enfatizar, é predestinado imerecidamente, pela Graça dita como irresistível, sem qualquer oportunidade de escolha ou de exercício de vontade; enquanto que o Réprobo ou Ímpio ou Maldito, embora predestinado para a eterna separação de Deus, ver-se-á frente a frente com tal realidade existencial por sua peculiar culpa(sic), por seu próprio esforço(sic), voltando as costas para Deus, voltando as costas para a Graça, voltando as costas para o bem, escolhendo ser mau em vez de buscar o bem, rejeitando explicitamente e indesculpavelmente a Deus.


Ou seja, na ótica do João Calvino, o Réprobo é dotado de força de vontade autoconducente, ao contrário do Eleito que nada pode fazer contra o chamado divino que o atrai de modo irrecusável.

Afinal, que  Soberania  estranhamente bifurcada, discriminadora e segregadora seria essa?

Que  Livre-Arbítrio(sic)  unilateral ou tendencioso ou milimetricamente orquestrado seria esse?

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

MEDITAÇÃO BÍBLICA CALVINISTA (Isaías 55:7)

Praticando a leitura da Palavra de Deus, detendo-nos na passagem do Profeta Isaías, Capítulo 55, Versículo 7, segundo os ensinamentos doutrinários do escritor João Calvino, adotados pelas denominações religiosas que o veneram como expoente máximo, o qual, segundo alardeado, teria sintetizado interpretativamente ou exegeticamente toda a Bíblia num livro conhecido como ‘Institutas da Religião Cristã’, cuja autoria afirma ter sido “mais de Deus do que dele próprio”.

A forma como os homens santos, inspirados por Deus, escreveram na Bíblia:


“Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao SENHOR, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar.” (Is 55:7)


A elucidação exegética chamada calvinista:

”Deixe o eleito o seu caminho ainda errante, e o homem escolhido os seus pensamentos incoerentes com a predestinação, e sejam abertos os seus olhos para que se converta ao Senhor, que se compadecerá dele segundo lavrado em seus eternos decretos; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em acolher aqueles que, por seu secreto conselho, são irresistivelmente agraciados com insondável perdão.”


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

SUPREMA ALEATORIEDADE SOTERIOLÓGICA

Vejam que estranhos e irremediáveis opostos, anunciados ou preconizados pelo segmento religioso conhecido como CALVINISMO, em alusão à produção literária do gaulês João Calvino.

De um lado, ou, mais exatamente, do lado esquerdo, surge o ATEU, também conhecido como DIABO DECRETADO, isto é, assim predestinado antes da fundação do mundo, carregando em si as seguintes características:

Não escolheu ser DEMÔNIO PROGRAMADO
Não planejou ser REBENTO DE SATÃ
Não exercitou livre-arbítrio para ser PROTÓTIPO DAS TREVAS
Age e vive obrigatoriamente como PERALTA INFERNAL
Fala como TRAPACEIRO DIVINAMENTE PLANEJADO
Rejeita inevitavelmente a Deus por ser INFALIVELMENTE ANÁTEMA
Comete todas as estirpes de pecados como SABOTADOR DOS CÉUS...

E, não obstante, é reputado como DE TUDO ISSO CULPADO e inesperneavelmente condenado à PERDIÇÃO infernal ainda que tão-somente cumprindo à risca seu inexorável destino de LIXO CELESTIAL, e vagueia pelo mundo cantarolando alegremente assim: "DEIXA A VIDA ME LEVAR".


De outro lado, ou, mais exatamente do lado direito, refulge a figura do, também antes da fundação do mundo, predestinadamente ELEITO ou ILUMINADO, trajado com invisíveis vestes especiais, o qual, certamente:

Não escolheu ser ABENÇOADO ELEITO
Não planejou ser INTOCÁVEL JUSTO
Não exercitou livre-arbítrio para ser INVULNERÁVEL
Age e vive obrigatoriamente e aparentemente (apenas aparentemente) como SANTO ETERNAL
Fala como AMADO DO ALTÍSSIMO
Comete todas as estirpes de pecados mesmo sendo SEPARADO DO CRIADOR

E, não obstante, é ABSOLVIDO por ter sido CALVINISTICAMENTE ELEGIDO para o GALARDÃO celestial, ainda que TÃO SIMILARMENTE PECADOR, TÃO MORTO EM DELITOS E TÃO IMERECEDOR quanto o CULPADO E DIABÓLICO ATEU, e, nessa condição de bem-aventurança, atravessa a existência terrena celebrando, dançando e assoviando faceiramente este refrão: "DEIXA A GRAÇA IRRESISTÍVEL ME LEVAR".


Sem causa, sem razão, sem sentido, sem eira nem beira, sem quê nem para quê, tudo decorrência da aleatoriedade por parte de um deus que seleciona os da esquerda e os da direita fazendo uso de uma espécie de soberania calvinisticamente peculiarizada e imponderavelmente bifurcada, expressa na seguinte definição:

"...Chamamos predestinação o eterno decreto de Deus pelo qual houve por bem determinar O QUE ACERCA DE CADA HOMEM QUIS QUE ACONTECESSE. Pois ele NÃO QUIS CRIAR A TODOS EM IGUAL CONDIÇÃO; ao contrário, PREORDENOU A UNS A VIDA ETERNA; A OUTROS, A CONDENAÇÃO ETERNA. Portanto, como cada um foi criado para um ou outro desses dois destinos, assim dizemos que um foi predestinado ou para a vida, ou para a morte." (Institutas, vol. III, formato pdf, tradução de Waldyr Carvalho Luz)

segunda-feira, 18 de julho de 2016

AMOU DE TAL MANEIRA

Se, conforme a Bíblia, TODOS pecaram e se tornaram destituídos da GLÓRIA de Deus em virtude da transgressão do primeiro Adão, fica evidente e em absolutamente irrefutável conexão com o ensinamento Bíblico que TODOS esses pecadores representam o alvo da GRAÇA do mesmo e único Deus, em virtude da redenção do segundo Adão.

Ou se poderia conviver harmoniosamente com a extrabíblica ideia calvinística de que o pecado do Primeiro Adão efetivamente se transmitiu A TODA A HUMANIDADE, mas, apesar de assim ter sido, a Graça Redentora de Jesus se irradiou APENAS PARA ALGUNS, não porque ALGUNS CRERAM ou detivessem em si algo que existencialmente os distinguisse, mas tão-somente porque esses 'ALGUNS' foram PREDESTINATORIAMENTE ELEITOS, e essa mesma Graça Redentora não seria apenas Graça Redentora mas Graça Irresistivelmente Redentora, desvinculadamente de nexo causal?

A transgressão do Primeiro Adão teria sido, então, o meio pelo qual Deus planejou eleger certas e determinadas pessoas assinaladas, uma a uma, em um decreto predestinatório? Conclui-se inevitavelmente, daí, que essa transgressão adâmica igualmente fora pelo Criador devidamente planejada? Ou seja, esse homem, na qualidade de Primeiro Adão, contaminou toda a humanidade, e Jesus, como Último Adão, não se doou por toda a humanidade?

Quanto aos demais 'ALGUNS', também chamados réprobos, bem, quanto a esses, a calvinística Graça Irresistível teria se tornado flácida e ineficaz ou fora, por Deus, propositadamente concebida com essa característica, isto é, tipicamente uma MALDIÇÃO SEM CAUSA e como resultado de uma Soberania dosificadamente ou direcionadamente amorosa?

Ou mesmo AMANDO O MUNDO "DE TAL MANEIRA" Deus teria arquitetado eleger alguns dentre os AMADOS e CONDENAR muitos mais dentre esses mesmos AMADOS, ainda que todos, ELEITOS e CONDENADOS, sejam rigorosamente iguais em termos de iniquidade?

E de que santa ou santíssima maneira poderia Deus AMAR para ELEGER e AMAR para CONDENAR ou derramar sobre a humanidade AMOR ELETIVO CELESTIAL e AMOR CONDENATÓRIO INFERNAL?

Ou a transgressão hereditária desses réprobos 'ALGUNS' fora marcantemente diferente da transgressão do Primeiro Adão e diferente da transgressão dos Predestinatoriamente Eleitos, isto é, por terem voluntariamente se mostrado mais intensamente rebeldes, mais desafiadores e mais execráveis aos olhos de Deus?

Ao que se vê, a adaptação calvinística da Bíblia é tamanha, tão perceptivelmente elástica, que o que mais surpreende não é essa deturpação em si, mas o fato de enorme contingente de pessoas mundo afora aceitarem e continuarem aceitando após séculos essa tese soteriológica como a perfeita, inerrante, pura e sã exegese Bíblica.
  
"Ide por TODO O MUNDO, pregai o evangelho a TODA CRIATURA. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado."
(Mc 16:15)


"Porque a Graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a TODOS OS HOMENS."
(Tt 2:11)

terça-feira, 14 de junho de 2016

DEUS NÃO É SOBERANO

O grande e irremediável equívoco do segmento religioso joãocalvinista jaz precisamente no seu argumento predestinacionista unívoco, através do qual os adeptos fazem ininterruptamente insistentes evocações e invocações ao que denominam de Soberania de Deus.

Diferentemente do que supôs João Calvino e continuam firmemente supondo os seus admiradores, Deus não é Soberano.

Sim, por absurdo e blasfemo que isso possa à primeira vista parecer, Deus não é Soberano.

Deus, em verdade Biblicamente irrefutável, é, sim, e sempre foi, sempre se revelou e sempre se ofereceu à criatura imagem e semelhança Sua, como Amorosamente Soberano.

O fatalismo determinista, portanto, proviria, pela ótica do João Calvino, de um Deus SOBERANO, ou, no máximo, SOBERANAMENTE AMOROSO, o qual em nada se assemelha ao Deus criador dos céus e da terra, que a si mesmo se apresenta como AMOROSAMENTE SOBERANO.

Ser SOBERANAMENTE AMOROSO implica amar seletivamente.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

CALVINISMO LIMITA-SE A CALVINISMO




Calvinismo não é Evangelho, é calvinismo.

Calvinismo é a pura e explícita negação do Evangelho.

Evangelho não é calvinismo, é Evangelho.


sexta-feira, 11 de março de 2016

O PAPADO COLETIVO DE JOÃO CALVINO

Eis uma nuança do segmento religioso calvinista que, muito provavelmente, dará causa a manifestações de surpresa e perplexidade, considerando que pessoas no Brasil sabidamente não são cultivadoras do hábito da leitura de livros, muito menos de literatura extensa e difícil como os escritos produzidos pelo francês João Calvino.

Desde muitíssimos e empoeirados séculos pretéritos, os Católicos Romanos adotaram oficialmente e pomposamente o Papado ou Pontificado Unipessoal, instalado ou erigido com o apanágio de Estado ou País, com divisão territorial e prerrogativas peculiares. Como razão de existir de tudo isso, exsurge a figura do Papa em si mesma, alvo de irrestrita veneração e aclamado como sendo o Sumo Pontífice detentor de Santidade e Infalibilidade.

Por sua vez, esse citado escritor gaulês de nome João Calvino sustenta exegeticamente e doutrinariamente uma espécie de Papado ou Pontificado em moldes coletivos e que, conforme por ele exposto em minúcias no Livro dos Calvinistas (Institutas da Religião Cristã, vol. IV, tradução de Waldyr Carvalho Luz), não seria organizado e instalado em território delimitado, semelhantemente ao que ocorre no âmbito do Vaticano, mas tratar-se-ia de sublime e santo ofício protagonizado por Pastores, todos os quais investidos na condição ou qualidade de Embaixadores de Cristo, revestidos de Supremo Poder a cuja Majestade haverão de se submeter todos os poderes, todas as glórias e todas as sabedorias do mundo.

Ademais, nesse Pontificado Coletivo os Pastores seriam detentores do Poder das Chaves, habilitados divinamente para Ligar e Desligar, idôneos e capacitados para Perdoar os Pecados de todos quantos se lançarem a confissões auriculares, além de dotados de Divina Capacitação para Relampejar e Lançar Raios.

“...Eis o supremo poder com o qual convém que os pastores da igreja sejam investidos. Que obriguem a todo poder, glória, sabedoria, exaltação do mundo a sujeitar-se-lhe e a obedecer-lhe à majestade; sustentados em seu poder, imperem sobre todos, desde o mais alto até o mais baixo; edifiquem a mansão de Cristo, desmantelem a de satanás; apascentem as ovelhas, submetam os rebeldes e contumazes; liguem e desliguem; enfim, caso se faça necessário, relampejem e despeçam raios; tudo, porém, na Palavra de Deus.” (Institutas, vol. IV)

O escritor em referência, ressalve-se, não mencionou ou afirmou, nesse mesmo livro, que os Pastores-Papas haveriam de ser reputados como Homens Santos e Infalíveis, mas sem dúvida, e de maneira inegavelmente no mínimo surpreendente, João Calvino a eles atribuiu capacitação ou dons sobrenaturais muito superiores àqueles supostamente possuídos pelo Papa do Vaticano, a quem os Católicos Romanos outorgam a virtude da Infalibilidade.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

MISERICORDIOSA SOBERANIA

A grande ou a enorme questão que emana do segmento religioso calvinista é que, uniformemente, quase nunca se ouvem da boca de seus agregados Palavras Bíblicas, mas tão-somente Paráfrases Bíblicas, ao estranho pretexto paradoxal de que a Soberania de Deus representaria um entrave para a suave e espiritualmente sobrenatural assimilação da simplicidade contida no Livro Santo.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

EM QUE SE DISTINGUEM?

Afinal, haveria diferença ou diferenças marcantes, perceptivelmente marcantes, infalivelmente marcantes, entre os ELEITOS PELA PREDESTINATÓRIA GRAÇA IRRESISTÍVEL e os CONDENADOS PELA PREDESTINATÓRIA DESGRAÇA IRRESISTÍVEL?

O que, exatamente, os distingue na prática, na aparência, nas atitudes, no falar, no calar-se, no agir individualmente, no agir em público, no agir em família, no agir como autoridade, no agir como representantes, no agir como representados, nas virtudes, nas imperfeições, na espiritualidade, na carnalidade, nas inclinações, nas abstinências, nas permissividades, na concupiscência dos olhos, na soberba da vida, na vaidade, na arrogância, na alegria, na depressão, na ira, na mansidão, no discernimento, na honestidade?

Seria tão-somente pelo fato de que, conforme frequentemente se ouve, os ELEITOS INCONDICIONADAMENTE, ainda que pecadores sejam, ainda que pecados cometam, ainda que sujeitos às mesmas paixões, aparentemente sintam ou efetivamente sintam desconforto interior em relação ao pecado? E os AMALDIÇOADOS IMUTAVELMENTE, embora praticando as mesmas transgressões, não obstante inseridos no contexto das mesmas vaidades que todo vivente carrega nas entranhas, ainda que assaltados por variadas concupiscências, embora tropeçando aqui e acolá, diferenciar-se-iam daqueles unicamente pela muitíssimo tênue característica de que, alegadamente, não acalentariam ou não cultivariam em seu íntimo qualquer tipo de incômodo ou de pesar?

Mas o que é que na prática cotidiana, em todos os recantos deste mundo, incessantemente acontece desde sempre? O que é que nas ruas, vielas, avenidas, campos, rios e mares se vê? Não são pessoas que somente se distinguem pela aparência física? Não são pessoas que existencialmente ou comportamentalmente em praticamente tudo se assemelham?

Em inumeráveis casos, pessoas que declaradamente se confessam alheias à religião adotam estilo de vida sadio e compatível com a imprescindível gregariedade peculiar ao ser humano, tratam bem suas famílias, suas esposas, seus filhos, respeitam o próximo, preservam o direito alheio, cumprem as leis do país, agem como cidadãos de bem. E, em incontáveis outros exemplos, pessoas que alardeadamente se dizem religiosas ou eleitas por Deus, revelam-se antiéticas, trapaceiras, desonestas, permissivas, agressivas, espancadoras de filhos e esposas, corruptas e corruptoras. E, ainda, em milhões de outros casos, dá-se que tanto os religiosos quanto os irreligiosos se assemelham entre si, ora pela boa postura, ora pelo caráter corrompido, ora pela generosidade e nobreza, ora pela vileza explícita.

Por que, então, Deus, utilizando-se da Graça Predestinatória Irresistível ou Graça Irresistivelmente Predestinatória, àqueles acolhe eletivamente e, através da Desgraça Predestinatória Inobjetável, a estes rejeita condenatoriamente, quando em todos eles nada há perceptivelmente e definitivamente distinguível, seja em termos de malignidade, seja no que se refere a virtudes?

Haveria, naqueles primeiros, uma espécie de sinal invisível na alma e, nestes, um estigma nela mesma?

Seria isso? Apenas isso? Significa, então, que Deus, olhando à direita, viu um pequeno grupo de pessoas por Ele criadas, ostentando atributos físicos e anímicos divinos, e, chamando-as, deu-lhes guarida eterna; enquanto que, olhando à esquerda, divisou inumerável multidão de viventes igualmente por Deus chamados à existência, coroados de glória e de honra, pouco menores do que os anjos, e, amaldiçoando-os, direcionou-os à infernalidade inacabável?
Real Time Analytics