sábado, 5 de setembro de 2015

SUICÍDIO E CALVINISMO


Por uma questão, digamos, de coerência calvinista, isto é, estritamente dentro das efusões literárias ou doutrinárias atribuídas ao francês Calvino, segundo as quais todas as pessoas já têm inteiramente definida sua trajetória existencial terrena e pós-terrena, através da predestinação que nada excepciona, ter-se-ia de admitir ou mesmo de defender com unhas e dentes que cristão nenhum jamais se suicidaria!!

E por que o cristão se faz imune à prática do suicídio? Simplesmente porque aquele que for "calvinisticamente eleito"(sic) não estaria correndo nenhum risco de se perder ou de ser perdido, na medida em que, num contexto de raciocínio predestinatório, o decreto eletivo é de uma infalibilidade inquestionável.

Além disso, ou melhor, dentro dessa órbita joãocalvinista, ninguém, nenhum homem, nenhuma mulher, nenhum vivente estaria apto a decidir ou a escolher ou a fazer uso de livre-arbítrio no sentido de matar-se a si mesmo, porquanto isso representaria a negação da soberania de Deus, sobre a qual (unicamente) se assenta toda a tese do calvinismo.

A menos que, nas teses ou teorias desse segmento religioso chamado calvinismo, Deus inclua ou HAJA INCLUÍDO em seus decretos predestinatórios também o suicídio de certas e determinadas pessoas, todas as quais HAVERÃO DE SE MATAR EM ESTRITO CUMPRIMENTO DO CONSELHO INVENCÍVEL OU IRRESISTÍVEL DE DEUS.

Do contrário, o ato de tirar a própria vida (suicídio) representaria necessariamente uma "insubordinação" contra a vontade predestinatória de Deus, o que, aos olhos do movimento calvinista, constitui uma impensável aberração, já que TUDO O QUE DEUS DETERMINOU INVARIAVELMENTE E CRONOMETRADAMENTE OCORRERÁ, exatamente como alardeiam em livros e na própria Confissão Calvinista de Fé de Westminster.

E que não venham os adeptos desse segmento religioso fatalista argumentar que o suicida teria agido "livremente"(sic) ou movido pelo que apelidam de "livre-agência"(sic),

como se Deus não o houvesse ordenado ou preordenado ou predestinado;

como se Deus fosse apanhado de surpresa por um ato irresponsável de um "livre-agente"(sic),

ou, pior ainda, como se Deus fosse o autor de "Decretos Ativos"(sic) e "Decretos Permissivos": o primeiro, consistindo em ALGEMAR pensamentos e atos quaisquer de quaisquer pessoas; e o segundo, consistindo em "AFROUXAR ALGEMAS" para determinadas ações que seriam praticadas por "PERMISSÃO DETERMINADA" ou "FATALISMO PERMITIDO"...

Por conseguinte, em consonância com a cátedra joãocalvinista,


Cristão definitivamente NÃO SE SUICIDA; Cristão NÃO PODE SE SUICIDAR, ainda que aparentemente seja esse o seu desejo; Cristão JAMAIS MATAR-SE-IA A SI PRÓPRIO porque sua vida não lhe pertence, suas inclinações não provêm dele próprio, ele nada pensa, faz ou realiza como ato particularizadamente seu.


E, portanto, o suicídio do cristão, numa síntese, revela-se cabalmente impossível por dois motivos: a eleição soberana, todo-abrangente e inerrante, lado a lado com a completa ausência de voluntariedade ou livre-arbítrio, quer para a vida, quer para a morte.


Esta é, em brevíssimas palavras, a tônica das teses do cidadão cujo prenome é João, mais conhecido como Calvino.

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