domingo, 14 de julho de 2013

GOVERNAR É SER SÚDITO

No dia em que os governantes, em vez de grotesca e perniciosamente se enredarem na tola e egolátrica vaidade  do poder que efetivamente não lhes pertence, finalmente se compreenderem a si mesmos no importantíssimo papel de importantes súditos do soberano povo que representam, isto é, do povo que lhes provisoriamente outorgou o encargo de estritamente administrar com absoluto esmero os altos interesses da nação; sim, nesse sonhado dia, algo de novo, grandioso e duradouro estará nascendo, em arraigado benefício de ambos.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

INTANGÍVEL VIRTUDE


No mundo, existem descobertas e descobridores,
indelevelmente registrados nos anais da história.

Entanto, procura-se o descobridor da virtude,
aquele que afirma estar ela sempre "no meio".

Aliás, procuram-se descobridor, virtude e meio.


Quem souber, delate.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

AOS HOMENS E MULHERES DA CIÊNCIA

Se, ao modo de ver dos tantos cientistas mundiais, - e de seus adeptos - o mundo não é a síntese de obra criadora de Deus, mas proveio de uma ‘explosão cósmica’; e se o ser humano, em seu ‘estágio’ atual, é o resultado de ‘constante evolução’ (na ótica  de Charles Darwin, seguido de perto pelos citados prosélitos, os quais se admitem e se têm como parentes de chimpanzés ou irracionais símiles), poder-se-ia concluir, sossegadamente, que esses mesmos cientistas - e seus seguidores -  entendem que o livro chamado Bíblia representa uma fábula ou seria como que vetusta e elastecida farsa?

Em tal peculiar ótica, Jesus Cristo não passaria de um personagem retratado ao sabor do(s) que o concebera(m)?

Os múltiplos locais, regiões, construções, túmulos etc. etc., narrados detalhadamente no Antigo Testamento e, após longuíssimos anos, ainda hoje preservados em Israel, seriam resultante de invencionismo dos judeus, povo esse que desde os seus primórdios mantém-se pautado pelos escritos bíblicos do Antigo Testamento?

Consectariamente, os judeus poderiam/deveriam ser considerados lunáticos, ou um exército de atores mambembes, cuja peça teatral não tem fim?

E, quanto aos cristãos dos tempos atuais (e d’antanho), segundo o entendimento dos cientistas darwinistas, seriam eles deficientes mentais ou um grupo de pessoas com reduzida capacidade intelectual, tolamente crédulas?

Por outro lado, e dentro da tal premissa de que a evolução é uma constante, qual seria, ainda no contexto da ampla capacidade de percepção dos cientistas, a tendência ‘evolutiva’ do homem: crescer ou diminuir fisicamente, ter mais de uma cabeça, ou fundir corpo/cabeça, ou adquirir olhos grandes, asas talvez (ou isso seria retrocesso ‘involutivo’?), ou um cérebro capaz de prodígios impensáveis, ou fluidificar-se, ou gelatinizar-se, ou livrar-se dos sentimentos ‘evolucionistas’ de solidariedade, amor, tristeza, ou... o quê?

ESTRITO REFLEXO DE VAIDADES

Houve tempos e repetidos tempos, no curso dos quais eu pude por vezes ler e reler aquelas passagens bíblicas poéticas (Livro de Eclesiastes) segundo as quais, em síntese, “tudo é vaidade”.

No primeiro versículo do capítulo 1, ouve-se com grande eco: “Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade”.

Quando ainda cruzando as fronteiras da primeira idade (se é que isso existe), eu me via e me flagrava um tanto ou quanto relutante em assimilar ou admitir essa ênfase bíblica no contexto da realidade nossa de cada dia.

Dizia silenciosamente a mim mesmo que provavelmente as palavras e expressões inseridas em Eclesiastes representassem um certo exagero, ou força de expressão (auxese), ou algo de símile sentido que pudesse d’alguma forma amenizar a vastidão da abrangência contida na assertiva de que “tudo é vaidade”.

Passado o tempo, decorridos anos, superadas décadas, quando em vez sacudindo a poeira da vida, tenho podido perceber com crescente e inconfundível nitidez que, irrefutavelmente, tudo, mas tudo mesmo, que se compõe no pensamento, que se lança ao ar com palavras, que se projeta ou se acalenta ou se sonha com ou sem avidez, que se consegue realizar, que não raro consideramos como protótipo de grande realização, ou mesmo quando nos deparamos com estilhaços de assim chamados fracassos; sim, todas essas variantes ou nuanças inserem-se de corpo inteiro na profundidade que se extrai do Livro de Eclesiastes.

“...E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol.” (versículo 11).


Ocorre-me na mente um grande número de autênticas ou legítimas bobagens às quais invariavelmente o ser humano se apega e se agarra no curtíssimo tempo de vida terrena que lhe é permitido.

São multíplices os desvarios, ou mesquinharias, ou futilidades, ou coisas talvez justificadas e justificáveis mas erroneamente priorizadas, em prol das quais apressadamente nos esmeramos: adquirir e acumular bens materiais e viver regaladamente; ser destacados ou reconhecidos na sociedade; ornamentar o dedo anular da mão direita com indiscreto e reluzente anel indicativo de uma qualquer graduação e receber ridículas mesuras, incluindo a alcunha de “doutores”; galgar posições de comando e poder; envergar vestimentas etiquetadas e adquiridas exorbitantemente; gozar sempre de robustez física e saúde plena; não sucumbir ao inevitável envelhecimento, entre tantas outras facetas existenciais.

Hoje, já não mais me atrevo a desenfatizar ou a tentar mitigar o alcance das palavras de Eclesiastes, pois que em nossas vidas, não obstante verdadeiramente estejamos rodeados por todos os lados de vaidade, aflição de espírito, enfado e transitoriedade inexorável, socorre-nos a esperança inarrebatável e única que provém da cruz de Cristo.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

INTERMINÁVEIS E VOLÁTEIS SUPOSIÇÕES

Desde seus primórdios, o mundo e seus habitantes vivem qual embarcação à deriva, chacoalhada por ventos de toda estirpe, vigor e direcionamento.

Nada ou quase nada há, entre os viventes, passível de asseverações categóricas, simplesmente porque nós, os viventes, sob o balouçar daqueles ventos, embora investigadores e esquadrinhadores por natureza e à nossa peculiar maneira, não aprendemos, não descortinamos, não tocamos o âmago da existência.

Tudo passa pelo crivo do tempo e pelo tempo sofre alterações ditadas por modismos, por delírios, por “verdades” que são e têm sido religiosamente abandonadas, ou revistas em sua síntese, ou ainda remodeladas desde sua incipiência ou estrutura rudimentar.

Mesmo aquilo, tudo aquilo, todas aquelas cerimoniais e duradouras “convicções”(sic) humanas, que por séculos pareciam emolduradas pelo aprofundado conhecimento ou até por suposta obviedade, igualmente cedem terreno para o desenrolar do tempo, não raro de maneira deprimente; por vezes, de modo tristemente grotesco.

Deus é, sempre foi, continua sendo a esperança unívoca e insusceptível.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

CONVERSÃO




O HOMEM SE CONVERTE

Na expressão, trata-se de pronome reflexivo ou partícula apassivadora, à luz da explanação soteriológica contida na Bíblia Sagrada, isto é, segundo os parâmetros de exegese que adotem como norteamento o discernimento espiritual?

Dito de outro modo, haveria alguma fração de espontaneidade na criatura homem imersa na misericordiosa insondabilidade do Criador e, ainda que de maneira absolutamente indefinível, capaz de reflexionar-lhe o pós-morte?


terça-feira, 28 de maio de 2013

RARA INTROSPECÇÃO

Poucos homens e mulheres há capazes de, em silente pensamento, reconhecer e elogiar a virtude do próximo.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

REVENDO CONCEITOS


A irrestrita condenação do extremismo não seria uma atitude extremista?

Verbalizando diferentemente:


A gratuita condenação do extremismo não seria uma astuta maneira de alimentarmos nossa indolência e nosso egoísmo?

sábado, 25 de maio de 2013

PECULIARIDADE MÓRBIDA

Os homens, por serem criaturas gregárias dotadas de notável capacidade de raciocínio, morreriam se vivessem isoladamente. Todavia, e em extremada antinomia ou doentio paradoxo, vivendo em sociedade, matam-se uns aos outros, exatamente em face da incapacidade de convivência.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

ECOS DE UM DIÁLOGO

Ouvi, certa vez, alguém dizer de seu desconforto e até embaraço diante de decisões e posturas que se adotam no curso da vida.

Discorria ele sobre as coisas que necessariamente e inevitavelmente sucedem na vida de qualquer vivente, e que constituem o rotineiro dia-a-dia, lado a lado com aquel’outras que despidas de imperiosidade e, portanto, perfeitamente evitáveis, adiáveis ou lançáveis ao perpétuo esquecimento.

O referenciado embaraço vinculava-se (e vincula-se) essencialmente à imprescindibilidade de exercício salutar da racionalidade e do discernimento, máxime tratando-se de cristão na acepção pura (não distorcida) do vocábulo.

Tudo começou (prosseguiu ele) com a leitura atenta e submissa da Palavra de Deus, segundo a qual a simplicidade representa uma das virtudes viscerais do ser humano, aliadamente à mansidão, à longanimidade, à humildade, ao refreamento da língua; tudo isso, entre outras nuanças existenciais, sofrendo constantes ameaças derivadas da inquietante questão da vaidade por consectário da qual podem sobrevir percalços e até mesmo tragédias pessoais, familiares e comunitárias.

Mantive atentos os ouvidos e achei interessantes as exemplificações práticas apresentadas pelo meu interlocutor, ele que se propôs a si mesmo uma série de questionamentos acerca das razões que levam o ser humano a empreender pensamentos, esforços, sinergia e, recorrentemente, à entrega total em busca de alvos específicos que jamais se exaurem, eis que parece haver uma insaciável sede de realizações (se assim se puder chamar) pessoais, avidez essa incrustada e acalentada no íntimo de cada qual.

Dizia audivelmente e introspectivamente: Por que não me basta possuir uma casa onde eu possa abrigar-me a mim e à minha família, sem que essa casa tenha de ser ampla e luxuosa em seu exterior e no interior?

Por que não me contento em ter um bom emprego através do qual eu obtenha o honesto sustento? Por que, além do emprego, eu tenho (não raro, a qualquer custo) de ocupar posição de destaque, ser líder, ser chefe, ser presidente, ser dono?

Por que, vivendo num país de dimensões extraordinárias e com paragens e paisagens deslumbrantes, tenho de “obrigatoriamente”(sic) realizar viagens de caráter exclusivamente diletante, por exemplo, à Europa e a outros longínquos Continentes e/ou países?

Por que essa incontida necessidade de voar por sobre oceanos com o objetivo unívoco (embora maquiado) de estar na Europa, de ser conhecedor da Europa ou de outro Continente, de ser “íntimo”(sic) de aeroportos além-mar, de pisar no asfalto da Suécia, de lançar olhos à Estátua da Liberdade, de comer em restaurantes onde o cardápio e os garçons se expressam em outra língua?

A verdadeira razão não residiria no irresistível prazer de, quando do regresso, poder narrar em detalhes e com indisfarçável orgulho ao meu círculo de convivência que ganhei o valioso status de “viajante internacional”, que sou importante, que ao meu currículo acrescentei essa impreterível variante da vida?

Por que, possuindo um dentre tantos meios de transporte, imponho-me o desejo insufocável de adquirir um automóvel? Por que meu automóvel tem de ser cada vez mais novo, mais valioso, preferencialmente “importado” e freqüentemente blindado?

Por que observo com olhar estranho a elegante indumentária do meu próximo, ato contínuo inserindo no íntimo a pretensão de comprar algo equiparável ou ainda, e  primazialmente, de maior valor?

Por que, no âmago organizacional das instituições religiosas cristãs, eu procuro ocupar sempre o cargo ou a função que me proporcione maior proeminência pessoal aos olhos da comunidade?

Por que aquele anel enorme inserido no dedo, como que a proclamar minhas assim chamadas credenciais de “doutor”(sic) ou meus apregoados dotes acadêmicos?

Por que procuro sempre o melhor lugar de assento, as maiores honrarias, ser o centro de atenções, ter ascendência sobre olhos e ouvidos de pessoas e estar sempre em (máxima) evidência?

Por que essas e inumeráveis outras coisas que, ao invés de aformosear, tornam a vida tão impregnada de futilidades e bagatelas?

As exemplificações, acrescentou o meu amigo e interlocutor, são quase inesgotáveis.

E, pondo fim ao nosso pouco delongado diálogo, arrematou, em típico autoquestionamento: Por que jamais me proponho apenas servir ao próximo, externar a ele o amor bíblico, preocupar-me com seu bem-estar físico e anímico? Por que minha oração, que ouso dirigir ao Deus Eterno, não revela prioridade absoluta para meu credenciamento espiritual por obra e misericórdia do Senhor Jesus?

Meditamos, ambos, naquele momento, se não estaríamos nós, seres humanos, numa espécie de aprisionamento decorrente das várias, sombrias e funéreas facetas da vaidade, as quais, não obstante passíveis de racionalizada e analítica percepção, são raras vezes percebidas?
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